Blog da Cral

Surto de Sarampo em 2026: cenário epidemiológico, vacinação e vigilância

Escrito por CRAL | Aug 5, 2026, 1:08:52 PM

 

Cenário epidemiológico

O sarampo é uma doença viral aguda de altíssima transmissibilidade, disseminada principalmente por aerossóis e secreções respiratórias. Sua rápida propagação exige identificação precoce, notificação imediata e elevada cobertura vacinal.

Em 2026, foi registrado um surto localizado no Estado de São Paulo, com casos concentrados na capital paulista, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo. A ocorrência levou o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde a intensificarem a vigilância epidemiológica, a busca ativa de casos, a vacinação de bloqueio e as campanhas de multivacinação.

O risco de novos casos permanece associado ao aumento do sarampo nas Américas, conforme alertas da Organização Pan-Americana da Saúde — OPAS/OMS —, ao fluxo internacional de viajantes e à realização de eventos com grande circulação de pessoas.

Cobertura vacinal e esquema de imunização

A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam cobertura mínima de 95% para as duas doses da vacina tríplice viral. Entretanto, a cobertura da segunda dose ainda permanece abaixo da meta em diferentes localidades, favorecendo a formação de grupos suscetíveis.

 O Calendário Nacional de Vacinação estabelece: 

Público

Recomendação

6 a 11 meses em áreas de surto

Dose Zero

12 meses

1ª dose da tríplice viral

15 meses

Tetraviral ou tríplice viral + varicela

5 a 29 anos

Duas doses comprovadas

30 a 59 anos

Uma dose comprovada

Profissionais de saúde

Duas doses, independentemente da idade

A Dose Zero, indicada para crianças de 6 a 11 meses em áreas com circulação viral, é uma medida adicional de proteção e não substitui as doses de rotina aos 12 e 15 meses.

Diante de um caso suspeito, devem ser iniciadas ações de investigação, monitoramento de contatos, busca ativa e vacinação de bloqueio, conforme orientação da vigilância epidemiológica.

Diagnóstico clínico e laboratorial

O quadro clássico inclui:

    • febre alta;
    • exantema maculopapular com progressão cefalocaudal (Erupção ou manchas vermelhas que aparecem na pele que começam no cabeça/rosto e descem até os pés)
    • tosse;
    • coriza;
    • conjuntivite;
    • manchas de Koplik na mucosa oral (Pequenos pontos brancos ou esbranquiçados na parte interna da bochecha)

A confirmação laboratorial pode envolver sorologia para IgM e IgG e detecção do RNA viral por RT-PCR. Para a análise molecular, podem ser coletadas amostras de swab nasofaríngeo, swab orofaríngeo ou urina.

A genotipagem viral, realizada por laboratórios de referência, como a Fiocruz e o Instituto Adolfo Lutz, auxilia na investigação da origem dos casos e na identificação das cadeias de transmissão.

Notificação e qualidade laboratorial

Todo caso suspeito de sarampo deve ser notificado compulsoriamente às autoridades sanitárias em até 24 horas. A rapidez da comunicação é essencial para a coleta oportuna de amostras e para a adoção de medidas de contenção.

Os serviços de saúde e laboratórios devem assegurar:

    • triagem adequada dos casos suspeitos;
    • coleta, acondicionamento e transporte corretos das amostras;
    • rastreabilidade dos resultados;
    • utilização de insumos e equipamentos adequados;
    • cumprimento das práticas de biossegurança;
    • comunicação integrada com a vigilância epidemiológica.

O surto de sarampo registrado em São Paulo em 2026 reforça que a doença pode reaparecer quando existem bolsões de baixa cobertura vacinal associados à importação de casos.

A prevenção depende principalmente da manutenção de cobertura vacinal igual ou superior a 95%, da identificação precoce dos casos, da notificação imediata e da qualidade do diagnóstico laboratorial.


Profissionais de saúde e a população devem verificar a situação vacinal e acompanhar as orientações e os boletins epidemiológicos publicados pelo Ministério da Saúde, pela OPAS/OMS e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

Manter a vacinação em dia não é apenas proteção individual, é responsabilidade coletiva.

CRAL - Soluções laboratoriais para uma rotina mais segura, rastreável e preparada.