Cenário epidemiológico
O sarampo é uma doença viral aguda de altíssima transmissibilidade, disseminada principalmente por aerossóis e secreções respiratórias. Sua rápida propagação exige identificação precoce, notificação imediata e elevada cobertura vacinal.
Em 2026, foi registrado um surto localizado no Estado de São Paulo, com casos concentrados na capital paulista, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo. A ocorrência levou o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde a intensificarem a vigilância epidemiológica, a busca ativa de casos, a vacinação de bloqueio e as campanhas de multivacinação.
O risco de novos casos permanece associado ao aumento do sarampo nas Américas, conforme alertas da Organização Pan-Americana da Saúde — OPAS/OMS —, ao fluxo internacional de viajantes e à realização de eventos com grande circulação de pessoas.
Cobertura vacinal e esquema de imunização
A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam cobertura mínima de 95% para as duas doses da vacina tríplice viral. Entretanto, a cobertura da segunda dose ainda permanece abaixo da meta em diferentes localidades, favorecendo a formação de grupos suscetíveis.
O Calendário Nacional de Vacinação estabelece:
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Público |
Recomendação |
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6 a 11 meses em áreas de surto |
Dose Zero |
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12 meses |
1ª dose da tríplice viral |
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15 meses |
Tetraviral ou tríplice viral + varicela |
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5 a 29 anos |
Duas doses comprovadas |
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30 a 59 anos |
Uma dose comprovada |
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Profissionais de saúde |
Duas doses, independentemente da idade |
A Dose Zero, indicada para crianças de 6 a 11 meses em áreas com circulação viral, é uma medida adicional de proteção e não substitui as doses de rotina aos 12 e 15 meses.
Diante de um caso suspeito, devem ser iniciadas ações de investigação, monitoramento de contatos, busca ativa e vacinação de bloqueio, conforme orientação da vigilância epidemiológica.
Diagnóstico clínico e laboratorial
O quadro clássico inclui:
- febre alta;
- exantema maculopapular com progressão cefalocaudal (Erupção ou manchas vermelhas que aparecem na pele que começam no cabeça/rosto e descem até os pés)
- tosse;
- coriza;
- conjuntivite;
- manchas de Koplik na mucosa oral (Pequenos pontos brancos ou esbranquiçados na parte interna da bochecha)
A confirmação laboratorial pode envolver sorologia para IgM e IgG e detecção do RNA viral por RT-PCR. Para a análise molecular, podem ser coletadas amostras de swab nasofaríngeo, swab orofaríngeo ou urina.
A genotipagem viral, realizada por laboratórios de referência, como a Fiocruz e o Instituto Adolfo Lutz, auxilia na investigação da origem dos casos e na identificação das cadeias de transmissão.
Notificação e qualidade laboratorial
Todo caso suspeito de sarampo deve ser notificado compulsoriamente às autoridades sanitárias em até 24 horas. A rapidez da comunicação é essencial para a coleta oportuna de amostras e para a adoção de medidas de contenção.
Os serviços de saúde e laboratórios devem assegurar:
- triagem adequada dos casos suspeitos;
- coleta, acondicionamento e transporte corretos das amostras;
- rastreabilidade dos resultados;
- utilização de insumos e equipamentos adequados;
- cumprimento das práticas de biossegurança;
- comunicação integrada com a vigilância epidemiológica.
O surto de sarampo registrado em São Paulo em 2026 reforça que a doença pode reaparecer quando existem bolsões de baixa cobertura vacinal associados à importação de casos.
A prevenção depende principalmente da manutenção de cobertura vacinal igual ou superior a 95%, da identificação precoce dos casos, da notificação imediata e da qualidade do diagnóstico laboratorial.
Profissionais de saúde e a população devem verificar a situação vacinal e acompanhar as orientações e os boletins epidemiológicos publicados pelo Ministério da Saúde, pela OPAS/OMS e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.
Manter a vacinação em dia não é apenas proteção individual, é responsabilidade coletiva.