» OPINIÃO

Ciro Mortella é presidente executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica- Febrafarma.
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RENDA MELHOR, MAIS SAÚDE
CONJUNTURA ANIMADORA PROMETE INVESTIMENTOS E RECUPERAÇÃO DO SETOR
A indústria farmacêutica espera crescer de 7% a 10% em 2004 em relação ao ano passado, colocando 1,6 bilhão de unidades no mercado. Mudança significativa, depois de sete anos de quedas contínuas no volume de vendas.
O setor estima faturar este ano cerca de R$ 18,8 bilhões, ante os R$ 16,9 bilhões alcançados em 2003. A reversão da tendência de encolhimento do mercado brasileiro de medicamentos se deve principalmente à recuperação de renda do consumidor, confirmada pelas estatísticas divulgadas recentemente.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo das famílias aumentou 3,1% no primeiro semestre do ano, na comparação com igual período de 2003. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a massa salarial (resultante do aumento de gente empregada e da elevação de renda) cresceu 6% em julho passado.
Esse desempenho confirma estudos que demonstram que o consumo de medicamentos é influenciado diretamente pelo poder de compra da população - e não, como alguns supõem, pelo preço dos produtos.
Com uma renda melhor, a população consome mais saúde.
Diante da retomada da atividade econômica, a indústria farmacêutica reviu para cima a projeção de aumento do volume de vendas este ano, inicialmente fixada em 5%.
A recuperação não será suficiente para repor o consumo de medicamentos no mesmo nível de 1997, quando foram vendidas 1,8 bilhão de caixas. A perspectiva, no entanto, é animadora. Mas o desenvolvimento sustentado do setor, a partir de agora, ainda é uma incógnita, pois persistem indefinições no marco regulatório econômico e tecnológico que levaram laboratórios a adiar ou mesmo cancelar investimentos, interrompendo um processo que, entre 1994 e 2000, envolveu recursos da ordem de US$ 2 bilhões.
A política industrial anunciada pelo governo no início de 2004 abre perspectivas para um rearranjo econômico, tributário, jurídico e institucional do setor farmacêutico.
Se as diretrizes apontarem na direção correta - vale dizer, contemplarem investimentos em inovação, respeito à propriedade intelectual, parcerias entre iniciativa privada e instituições acadêmicas e a formulação de políticas públicas na área da saúde -, será criado um clima favorável à retomada do fluxo de investimentos, contribuindo para alavancar o mercado interno de medicamentos e relançar o setor no circuito das exportações. |