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Mitologia e mercado financeiro


   A volatilidade do mercado financeiro, as influências das políticas monetárias e a incerteza do futuro no Oriente Médio, refletem na indústria farmacêutica uma metáfora sobre a época na qual os Deuses manipulavam e influenciavam os homens O mercado financeiro é a voz da economia. É a medusa mitológica, que na história grega não se influencia pelas centenas de serpentes que adornam sua cabeça; mas na vida real de câmbio, importação, bolsas, commodities, órgãos reguladores, inflação, demanda, exportação, deficit, embargos, impostos, pactos comerciais, soberanias e juros as cobras se transformam em milhares de cabeças pensantes que influenciam apenas uma: a indústria. E, nos últimos anos, um dos setores que mais sofreu os lados sombrios da volatilidade do mercado foi o farmacêutico. Em apenas um ano, o segmento perdeu US$ 1bilhão em seu faturamento, caindo, de 2002 para 2003, de 6 para 5 bilhões de dólares. Aliás, como o faturamento é dado pela moeda norte-americana, um dos fatores para o quadro negativo foi a crescente desvalorização do real. A classificação da indústria farmacêutica despencou de 10ª para 14ª no mundo, e na América Latina a liderança brasileira foi cedida ao México. Esses índices atuam diretamente no investimento em pesquisas para a criação de novos produtos, e modernização das fábricas. Fundamentais para a competitividade do setor. A crise foi intensificada com o forte controle de preços dos medicamentos, impostos pelo Governo Brasileiro. Atualmente, o órgão ministerial que determina um teto para o preço final das drogas a serem distribuídas é a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Esse valor-limite é calculado por uma média dos setores farmacêuticos de nove países: Estados Unidos, Canadá, Espanha, Austrália, França, Grécia, Itália, Nova Zelândia e Portugal. “Até 1998, a indústria podia administrar os preços, mas depois isso mudou, revelou Gabriel Tanur - presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Intrafarma) – em uma entrevista ao Jornal Valor Econômico. E novamente as conseqüências recaem na indústria, que não tem como investir em si mesma, realizando o que há de mais saudável em uma empresa: o giro de capital. “A história é pródiga em exemplos de que rígidos controles de preços, em qualquer setor só conseguem debilitar a indústria sem trazer benefícios para o consumidor”, enfatizou Omilton Visconde – presidente do Conselho da Federação Brasileira da Indústria Framacêutica (Febrafarma) – no Jornal do Brasil. Sem falar que os laboratórios, por conta da regulação de preços, não conseguem repassar os aumentos de seus insumos, geralmente importados.

  • Os venenos


  • Olhando a Medusa
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